O mistério das Constelações Familiares

As abordagens das Constelações Familiares ainda geram muitos questionamentos em torno de como tudo funciona. Apesar desta técnica estar sendo utilizada no Brasil há mais de vinte anos, muitas pessoas ainda desconhecem do que realmente se trata e os benefícios que se pode ter com esta nova prática.

Pode parecer algo difícil de se explicar e a forma mais fácil de compreender é participando de um encontro de constelação e assim ter o contato com a mesma.

Se trata de uma abordagem psicoterápica que faz com que o indivíduo olhe para seu sistema familiar e reconheça nele a sua força ou o que lhe traz força para seguir e vencer na vida. Quando reconhecemos as histórias vividas pelos nossos antepassados e as aceitamos como algo que foi necessário para que pudéssemos estar aqui hoje, então nos harmonizamos com o sistema e recebemos dele a força.

A abordagem das constelações familiares é fenomenológica. Através de representantes, que podem ser pessoas, bonecos ou âncoras de solo, é possível identificar sintomas físicos ou comportamentos similares de algum antepassado e que pode estar motivando a desarmonia, o insucesso ou o desequilíbrio numa relação ou tirando a força de alguém do próprio sistema.

O alemão Bert Hellinger, falecido em setembro de 2019, é a principal fonte que trouxe este conhecimento ao mundo. A partir de muitas observações e caminhadas por tribos indígenas e estudando diversas culturas em muitos países, obteve contribuições importantes para chegar ao que chamamos de Constelação Familiar.

O fenômeno se dá a partir do campo mórfico pertencente ao cliente que apresenta seu tema a ser trabalhado, e é através deste campo que se revela aquilo que antes era desconhecido e que o prendia ou o limitava. Por isso, muitas vezes através de uma Constelação podemos perceber segredos de família como casos de adoção em que a pessoa não sabia, abortos escondidos, filhos bastardos de um dos pais ou outro ancestral, etc… Mas isto vem à tona como forma de clarear e tornar verdadeiro o que estava escondido. Pois os segredos são prejudiciais ou tóxicos, nada que aconteceu em alguma geração de nosso sistema familiar fica impune. Um dia alguém irá sofrer consequências em função disso e como sempre é nos mais fracos que estoura, as crianças acabam levando toda a carga do que estava escondido.

A constelação é uma forma de olhar para essas informações, saber o que está agindo e buscar uma solução.

Bert Hellinger reconheceu três leis as quais chamou de Ordens do Amor, são elas: pertencimento, hierarquia e equilíbrio.

A lei do pertencimento garante que todas as pessoas têm direito de pertencer ao sistema, independentemente de qualquer atitude que possamos justificar como “condenável”. Sempre que alguém é excluído uma consequência trará ao sistema, e pode consistir na repetição do mesmo comportamento, que foi reprovado anteriormente, por algum membro de gerações seguintes (filhos, netos, bisnetos). Esta lei defende que todos que fazem parte de um sistema jamais podem ser excluídos.

A lei da hierarquia defende a ordem natural das coisas, quem vem primeiro é o mais antigo e merece ser reconhecido tendo seu lugar respeitado pelos mais novos. Quando há inversão desta ordem, de modo que os filhos se achem maiores que os pais, por exemplo, o estado emocional fica alterado gerando desconfortos e sofrimentos.

Bert Hellinger afirma que esta ordem natural precisa ser respeitada para que seja estabelecida a terceira lei, a do equilíbrio. Tem a ver com o dar e receber entre pais, filhos, casais e até mesmo no vínculo chefe/subordinado. Pois, geralmente, os que recebem muito vão embora reclamando, cobrando, falando mal, traindo ou acionando a justiça. Os desequilíbrios nas relações aparecem como rompimentos.

“Muitas famílias passam por sérios problemas quando esta ordem é invertida e esta alteração no processo de dar e receber, pode afetar a saúde física e emocional dos filhos em prol da união e felicidade dos pais”, Bert Hellinger.

Não tomemos os exemplos deste texto como uma receita, pois cada caso é um caso e para que você possa chegar a uma compreensão de algo, se faz necessário que se observe o seu campo durante uma sessão de constelação.

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